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Artigos - Devemos influenciar nossos filhos à seguire nossas crenças?

Devemos influenciar nossos filhos à seguirem nossas crenças?

Eis uma frase que sempre ouço, " Não quero ensinar nenhuma religião ao meu filho, não quero influir sobre ele; quero que seja ele a escolher por si mesmo quando for mais velho".
Este é um argumento muito frequente e que no entanto, nunca é verdadeiramente aplicado. É evidente que é um grande sonho de uma mãe pagã por exemplo, ver
seu filho pequeno sentado quietinho, contemplando serenamente a Deusa, a vida e tendo pensamentos pacíficos...
Mas a pessoa adulta não pode em nenhum caso escapar a responsabilidade de influir sobre a criança; nem sequer escapar a responsabilidade de influir sobre a criança; nem sequer quando impõe a si mesma a enorme responsabilidade de não o fazer.

As nossas escolhas influenciam sempre de alguma forma o que nos rodeia e as crianças são quem mais absorve da nossa forma de estar. Geralmente, não temos consciência dessa responsabilidade e facilmente atribuímos as suas ações e reações ao seu carácter e personalidade muito próprios.

A mãe pode educar o filho sem lhe escolher uma religião, mas não sem lhe escolher um meio ambiente. Se ela optar por deixar de lado a religião, estará já a escolher um meio ambiente, e, além disso, um meio ambiente funesto e contranatural. A mãe, para que o seu filho não sofra a influência de superstições e tradições sociais, terá de isolar o filho numa ilha deserta e educá-lo aí. Mas será a mãe a escolher a ilha, o lago e a solidão; e é tão responsável por atuar dessa forma como se tivesse escolhido a seita dos menonitas ou a teologia dos mórmones.

É completamente evidente, dizem, para quem pense durante dois minutos, que a responsabilidade de orientar a infância pertence ao adulto, pela relação que existe entre este e a criança, completamente aparte das relações de religião ou de irreligião. Mas as pessoas que repetem esta fraseologia não pensam nela mais de dois minutos. Não tentam unir as suas palavras a uma razão, a uma filosofia. Ouviram esse argumento aplicado à religião, e nunca pensam em o aplicar a outra coisa fora da religião. Nunca pensam em extrair essas dez ou doze palavras do seu contexto convencional e aplicá-las a qualquer outro contexto.

Ouviram dizer que há pessoas que resistem a educar os filhos na sua própria religião. Poderia haver igualmente pessoas que se recusassem a educar os filhos na sua própria civilização. Se a criança, quando for mais velha, pode preferir outro credo, é igualmente certo que pode preferir outra cultura. Pode zangar-se por não ter sido educado como um bom sueco burguês; pode lamentar profundamente não ter sido educado como um sandzmanian. Do mesmo modo pode lamentar ter sido educado como um cavalheiro inglês e não como um árabe selvagem do deserto. Pode – com a ajuda de uma boa educação geográfica –, enquanto examina o mundo da China ao Peru, sentir-se invejoso pela dignidade do código de Confúcio ou chorar sobre as ruínas da grande civilização inca. Mas, evidentemente, alguém teve de o educar para que pudesse chegar a esse estado de lamentar uma coisa ou outra; e a responsabilidade mais grave de todas é talvez a de não guiar a criança para nenhum fim.

Mas uma coisa é certa, não se deve obrigar uma criança a ser o que não é ou não quer. Devem-se dar as ferramentas, plantar as sementes, ajudá-las a germinar e deixar que a sua criança floresça como e quando quiser. Ela florescerá sempre. Só que deixar um filho/a ao sabor do mundo poderá essa 'escolha' ser desastrosa! Pense nisso.

Texto oriundo do site http://depequenos.blogs.sapo.pt
e complementado por Odin Daniel

 

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