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Enciclopédia - Iara
Paganismo Brasileiro - A Iara
Um dos seres mitológicos mais populares brasileiros, ganha nomes como, Mãe-d'água, a Iara, Uiara ou Ipupiara, é uma sereia morena, de longos cabelos negros e olhos castanhos, que costuma banhar-se nos rios, cantando uma melodia irresistível. Os homens que a vêem não conseguem resistir a seus desejos e pulam nas águas, e ela então os leva para o fundo; quase sempre não voltam vivos. Os que voltam ficam loucos, e apenas uma benzedeira ou algum ritual realizado por um pajé consegue curá-los. Os índios têm tanto medo da Iara que procuram evitar os lagos ao entardecer. Em algumas ocasiões, comenta-se, ela mostra-se com pernas para, logo em seguida, transformar-se em sereia. É nesta forma que atrai suas vítimas. Para livrar-se do poder de sedução de Iara, aconselham os indígenas, deve-se comer muito alho ou esfregá-lo por todo o corpo.
Diz a lenda que Iara antes de ser sereia era uma índia guerreira, a melhor de sua tribo. Seus irmãos ficaram com inveja de Iara pois ela só recebia elogios de seu pai que era pajé, e um dia eles resolveram tentar matá-la. De noite quando Iara estava dormindo seus irmãos entraram em sua cabana só que como Iara tinha a audição aguçada os ouviu e teve que matá-los para se defender, e com medo de seu pai fugiu. Seu pai propôs uma busca implacável por Iara. E conseguiram pegá-la, como punição Iara foi jogada bem no encontro do rio Negro e Solimões, os peixes a trouxeram a superfície e de noite a lua cheia a transformou em uma linda sereia, de longos cabelos negros e olhos castanhos.
A Sereia apareceu no Brasil trazida pelo colonizador português e já chegou aqui como sendo uma mulher-peixe, registrada no fabulário ibérico do século XV. O sincretismo deu-se facilmente somando-se ao conhecimento indígena, surgindo a Mãe D'Água, como uma das muitas mães de concepção das tribos aqui presentes. Mesmo assim, estes registros não são tão antigos, pois não foi encontrado nada a respeito nas crônicas do período colonial.
Numerosas são as lendas em torno de Iara, seus encantamentos e artimanhas. É o mito que mais inspirou poetas brasileiros. José de Alencar, por exemplo, incluiu no romance "O Tronco do Ipê" um conto sobre a mãe-d'água, em que figura um palácio de ouro e de brilhantes no fundo do mar. Mas, o importante mesmo é não brincar com o poder desses elementais, tapem sempre seus ouvidos quando passarem perto de um rio rodeado de matas virgens!
Odin Daniel
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