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Lugares sagrados do Brasil
Místicos, pesquisadores, viajantes, caiçaras e velhos índios: você já ouviu deles qualquer coisa a respeito de lugares especiais? Que têm algo diferente e muito de inexplicável? Supõe-se que o planeta, assim como nós, possui chakras.
O termo vem do sânscrito e dá nome a sete áreas do corpo pelas quais recebemos e emanamos a energia divina. A Terra também teria esses pontos e, através deles, ela respira. O Brasil que você vai ver a seguir foi mapeado assim, na percepção livre de sete territórios que poderiam bem simbolizar os sete chakras do país. Em cada um observa-se uma conexão incomum entre os seres e a alma do mundo.
Serra do Roncador
Agartha, Shamballah, Caminho de Ló, Portal de Aquário. Todos os caminhos misteriosos conduzem à Serra do Roncador, junto à Barra do Garça, nordeste do Mato Grosso. Guardado pelos índios xavantes e bororós, esse território, que se estende até a Serra do Cachimbo, no Pará, tem sítios arqueológicos escondidos sob grutas e cavernas. Várias confrarias místicas estudam a região e há quem garanta ter conseguido contato com civilizações intraterrestres, que seriam sobreviventes de Atlântida. Foi no Roncador que, em 1919, desapareceu o coronel Fawcett, o oficial da Real Artilharia Britânica que buscava a cidade perdida. Não se iluda: é uma viagem de comida e acomodação espartanas e as cidades em seu entorno só agora começam a se preparar para os visitantes.
Um site com algumas dicas: www.portaldoroncador.com.br.
Chapada dos Veadeiros
No coração do Brasil, em pleno cerrado goiano, fica a Chapada dos Veadeiros. Assentada sobre uma gigantesca placa de cristal, a região atrai tarólogos, biodanceiros, artistas, astrólogos e terapeutas de todas as tendências. Natureza perfeita para relaxar e meditar. Tem gente atrás de cachoeiras (são mais de 200), outros buscando pistas de discos voadores. Alto Paraíso e a vila de São Jorge são os portões de entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Uma frugal e deliciosa comida vegetariana, com um toque caipira, garante o sustento para caminhadas e mergulhos transformadores.
A dica é de hospedagem: a charmosa Casa das Flores, em São Jorge (061 / 234-7493).
Ilha dos Lençóis
No litoral das Reentrâncias Maranhenses, uma coleção de dunas irrompe junto à Baia de Bate Vento, num ponto onde os manguezais encontram o mar aberto. É a Ilha dos Lençóis, famosa pela incidência de albinismo entre seus habitantes - o "Povo da Lua". Ali, o credo vivo é o do rei D. Sebastião de Portugal: ele não morreu em combate contra os mouros, ficou encantado e vagueia até hoje na ilha, montado num touro gigante. Os barcos partem da cidade de Cururupu, em jornadas de até oito horas. Dorme-se na rede, em casas de pescadores. Há fartura de peixe, mas é bom levar provisões.
Aiuruoca
Próximo de São Tomé das Letras, esse vale elevado, cercado de montanhas, tem rios de águas geladas repletos de trutas. Lá foi criada a Reserva Ecológica de Matutu ("cabeceiras sagradas", em linguagem indígena), que protege mais de 60 nascentes e vastas porções de Mata Atlântica. "Paz e equilíbrio", define o cineasta Paulino dos Santos, 71 anos, que mora há anos na comunidade do Santo Daime de Aiuruoca. Para os devotos, o vale é um templo natural. A Pousada Matutu, além de abrigar os visitantes, desenvolve um programa de preservação do meio ambiente (035 / 332-3165).
Serra da Capivara e Sete cidades
O escritor austríaco Erich von Daniken, autor de Eram os Deuses Astronautas?, vislumbrou ali, num desenho rupestre, a estrutura helicoidal do DNA. Caminhamos entre formações areníticas no Parque Nacional de Sete Cidades, próximo da cidade de Piripiri, no Piauí. Mas há quem veja ali os escombros de velhas civilizações dos fenícios. Não muito distante, o Parque Nacional da Serra da Capivara, junto a São Raimundo Nonato, guarda os vestígios do primeiro homem das Américas, que teria vivido ali há cerca de 48 mil anos. São lugares para caminhadas contemplativas, onde experimentamos a vertigem dos túneis do tempo. Para imitar os ancestrais, faça um camping selvagem na Serra da Capivara, no Sítio do Mocó (086 / 582-1100). Em Sete Cidades compense o sacrifício: há um hotel com piscina junto ao portão principal do parque (086 / 276-2222).
Vale do Guaporé
Para os índios da região, esta floresta em Rondônia é fonte de experiências extra-sensoriais, lugar onde os homens santos jejuam em busca da iluminação. Floresta tropical, mata de igapó, campos alagados. Território xamânico na zona de transição entre o Pantanal e a Amazônia, no vale que vai de Porto Velho a Costa Marques. Descer o rio Guaporé, como fazem os pescadores, é o grande programa. Em Costa Marques, que é perto da fronteira com a Bolívia, dá para alugar um barco tripulado por 50 reais.
O site: www.guiaderondonia.com.br
Pantanal
Na maior planície alagável do planeta, o incessante fluxo das águas nos remete ao mítico mar interno de Xaraés, que secou há cerca de 65 milhões de anos. Mais de mil espécies de animais diferentes, entre aves, mamíferos, peixes e répteis habitam esta arca gigantesca, regida pelos deuses da mata e pelo criador - Ito Oviti, na língua dos índios terenas. Mas não adianta medir. "No Pantanal ninguém pode passar régua, sobretudo quando chove", garante o poeta Manoel de Barros. "A régua é existidora de limites. E o Pantanal não tem limites." Antigas fazendas de gado foram transformadas em pousadas. Nossa indicação: Fazenda Rio Negro (067 / 351-5191).
Revista Super Interessante - Vida Simples - Antônio Paulo Pavone
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