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O Sagrado Feminino já não quer mais calar

Nos velhos tempos a mulher era reverenciada, amada e vista como a geradora da vida, nas paredes das cavernas desenhos de figuras femininas registravam tal estimação, as fêmeas eram preservadas, respeitadas e protegidas por todos, as partes sexuais femininas eram expostas com orgulho e pudor, e a menstruação tida como virtude e prestigio.
A fertilidade, a reprodução, a gestação, o aleitamento, uma vida e outra vida, o sagrado feminino sempre contribuiu para que o Útero cósmico se mantenha e o universo da Grande Deusa exista.
Então, a sociedade decidiu que o homem, sozinho, reinasse e sustentasse o universo. Assim a imagem masculina fez-se mais forte, porém solitário e vazio perdeu o equilíbrio e o descontrole despencou sobre o mundo. Angústias, guerras, desordens e tristezas vieram em forma de companhia para a nossa humanidade desestabilizada.
Onde está a mulher nesse reino modesto? Como podemos pensar em vida sem a força feminina? Algo falhou nessa estrutura social e o patriarcado fracassou.
A polarização entre o feminino e o masculino foi deturpada, por ambição e dominação e o que resultou foi uma sociedade fálica, egoísta e medíocre. A mulher foi sufocada e seu grito abafado com as mãos abomináveis dos senhores absolutos. O sangue desbotou, o útero infértil só gerou ódio, os seios produtores de leite servem, então para agradar os olhos e as mãos sedentas das solidões ignóbeis.
Hoje, aos poucos, o conceito matriarcal vem gritando, mesmo que, ainda, abafado nos paradigmas sociais; A Grande Mãe ressurge com lágrimas nos olhos para perdoar seus filhos, apesar de machucada, pelo desmatamento de seu corpo, a destruição de seus jardins, a extinção de suas crias, ela renasce para uma transformação e renovação de seu Útero Cósmico que foi prejudicado por seus próprios filhos.
O Sagrado Feminino foi cuspido pelas janelas de seu próprio habitat, foi pisoteado pelas suas origens e chora em um canto do Cosmo pela extinção da essência.

Érica Raquel

 

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