SEJA O AUTOR DA SUA VIDA
Nunca os cursos de nivel superior foram tao acessiveis quanto hoje em dia. Sao faculdades para todos os gostos e bolsos. Porem, devido as demandas mundiais, e a propria evolucao do ser humano, mais areas de trabalho sao criadas, e desta maneira, mais cursos aparecem. Antigamente, procurava-se uma profissao por status, e limitava-se, talvez, aos cursos mais conhecidos: Medicina, Administracao e Engenharia, para homens, e Psicologia para as mulheres. Nao vou me ater as “divisoes sexuais” que se encontram, ou se encontravam, nos cursos, mas sim ao fator que a meu ver motiva a criacao de diversos cursos e a procura por determinada area (por ambos os sexos): a auto-realizacao.
Em propagandas, em artigos, em conversas, em terapias, ha o incentivo a se fazer o que gosta, a independencia, a motivacao, a auto-estima.
Varios testes vocacionais podem ser encontrados na internet. Mas, o que e melhor: uma ferramenta generalista dizer o que serei ou mergulhar no autoconhecimento e descobrir, de maneira personalizada, unica, o que farei, qual minha funcao no universo?
Existem varias maneiras de aprofundar o autoconhecimento. Alguns recorrem aos mapas astrais, a livros de auto-ajuda, a terapia. Sim, sao itens validos, totalmente! E ai comeca um exercicio. Toda vez que recebemos um estimulo externo (seja do mapa astral, do livro, do terapeuta, do amigo, etc), e interessante analisarmos se aquela informacao realmente faz parte do nosso mundo ou nao.
Por exemplo, uma vendedora esta motivada em sua primeira semana de trabalho, e oferece uma roupa a cliente. A cliente recusa e diz “que roupa feia! Voce nao tem bom gosto!”
Pronto. Isto ja e suficiente para esta vendedora se derramar em lagrimas e perder toda a motivacao. Sugestao: por que ela nao analisa a critica recebida da seguinte maneira: “temos gostos e visoes diferentes. O que e bom pra voce nao e bom para mim”. Na pior das hipoteses, se a roupa for realmente feia, e um estimulo para a vendedora aprender mais sobre moda, se for o caso.
Mergulhar no autoconhecimento e mais do que brincar de jogo do contente da Poliana.
Existem criticas sim, que nos derrubam. Que nos chateiam. “Este trabalho esta mal feito!”, quando voce se esforcou 200% para realiza-lo. Aprendemos com as situacoes da vida. Aprendemos a ter desapego. Caso o chefe tenha razao, devemos nos desprender do apego aos 200%, e aprimorar nosso trabalho, por mais que isso doa. Mas ai aprendemos a receber criticas. Caso contrario, devemos nos mesmos reconhecer nosso trabalho e esforco. Quantas e quantas pessoas, ao receber um elogio dizem “ah, e so impressao sua...” E quando recebem uma critica negativa, ficam remoendo porque o esforco foi de 200% e ninguem reconhece as noites mal dormidas.
Ai entra a auto-estima, o autoconhecimento. Nao se trata apenas de fazer so o que gostamos. Todo trabalho tem rotinas que os profissionais preterem. A convivencia vai nos colocar frente a pessoas que nos criticam negativamente, positivamente ou que mostram indiferenca, ha pessoas que nos afundam, ha pessoas que nos deixam estagnados (sao as pessoas ancoras), e ha pessoas que nos incentivam e impulsionam. Detalhe cruel: algumas vezes, essas pessoas somos nos mesmos! O mundo ja leu muito: “voce e que se coloca pra baixo”, “voce e que deve dar o primeiro passo”. Dar o primeiro passo e uma autoreconciliacao, e um gesto de auto-amizade, de auto-amor, auto-estima. Buscar forcas e estimulo para continuar, para nao desistir.
Abrir mao nem sempre e desistir. Tenho uma amiga que costuma dizer: “teimosia e insistir no erro. Persistencia e insistir em algo que dara certo.” Vamos procurar abrir mao de nossas teimosias. Como? Analisando nosso historico de vida, nossos comportamentos, nossas intuicoes, nossas ilusoes, nossos sonhos.
Sempre incentivei as pessoas a escreverem diarios, ou simplesmente escrever, tudo o que vem a cabeca. Atraves da escrita, expulsamos todos os pensamentos que nos confundem, e posteriormente, lendo o texto, organizamos nossas ideias. A atriz e escritora Maria Mariana defende que a importancia do diario e ver que todos problemas sao passageiros.
Revendo nossos diarios, percebemos nossas caracteristicas de personalidades, nossos pontos fracos (a aprimorar) e tambem nossas qualidades. Talvez possamos identificar nossas vocacoes. Nossas afinidades. Nossos sonhos e as vezes lembrar o que queriamos ser quando crescer nos oferece um norteamento.
Refazer caminhos, planejar estrategias, tracar um plano A, um B e um C para se chegar a um objetivo, tudo isso podemos registrar no nosso diario. Assim fica mais dificil esquecer o compromisso com nossa felicidade, com nossa auto-realizacao. Fica mais facil ver tambem onde nos enrolamos, onde nos engambelamos, onde fugimos, onde batalhamos, onde investimos energia para fazer fluir, onde nos incentivamos e motivamos. Escreva. Literalmente seja o autor da sua vida. Seja tambem o diretor e o ator/atriz do personagem principal.
Vale uma reflexao, que aprendi com o livro Minutos de Sabedoria, de Carlos Torres Pastorino: “Nao julgue pequena demais sua tarefa. Nenhuma obra de arte pode descurar dos pormenores. Se as minucias forem perfeitas, e que podemos denominar alguma coisa de obra-prima. Nao busque tarefas grandiosas e de evidencia. Procure dar conta integralmente do servico pequenino que lhe foi confiado. Da perfeicao com que o executar dependera sua oportunidade para receber uma incumbencia maior”. (p. 127)
Entao escolha o curso, o aperfeicoamento que falta pra voce se encontrar. Tire o peso do “devo ser isto, devo ser aquilo” ou “devo seguir o que meu pai falou, o que minha mae falou”, “devo seguir o que meus amigos falaram”. Tudo isso te leva a ser escravo de si. Os outros falaram, e voce repetiu. Entao, voce falou e disse. E segue aquilo, esquecendo do que gosta, seja porque fulano desvaloriza o que voce gosta, ou sua profissao e tida como alternativa. Se e “alternativo”, ja pensou que seu papel no mundo pode ser o de oficilizar esta profissao (ou contribuir para isto)?
Com etica, tudo e valido. Fazer a diferenca nao e ser diferente: e ter comprometimento e dedicacao, com voce, com os outros, com sua profissao, com seu trabalho, com seu emprego, com a familia, com o mundo, com o universo.
E lembre-se: seja o autor da sua vida, e escreva um best-seller para ser lembrado por milhares e milhares de anos. E nao tenha medo de fazer as revisoes das edicoes posteriores: elas incrementarao o conjunto da obra.
Texto extraido do site GuruWeb, autoria de Rodrigo Cesar Casemiro