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Artigos -O que significa ser pagão

O que significa ser pagão

Afinal, o que é ser pagão? O que denota alguém como seguidor do paganismo? Certamente, não só muitos que se auto-intitulam pagãos, como a maioria das outras pessoas, ignoram bastante a respeito dessa denominação tão antiga quanto temida, sentimento nutrido precisamente pelo desconhecimento de sua realidade.


Será que ser pagão significa ser adorador do diabo? Conjurador de forças impuras, acolhedor de energias demoníacas ou, talvez, se refere aquele ser sem moral que se dedica unicamente ao mal alheio em benefício próprio ou por puro deleite sádico? Não! Meus amigos. Ser pagão não tem nada a ver com adorar Satã, nem sacrificar criancinhas, ou beber sangue de animais em rituais macabros. O pagão é, antes de tudo, alguém em profunda sintonia com as forças sutis da natureza, mesmo que, conscientemente, não as relacione com sua vida diária, ele (ou ela) sente que há algo de espiritual em todas as coisas. Ele percebe os limites do mundo físico não nas elucubrações supersticiosas dos ignorantes, como muitos pensam, mas se calca em seus seis sentidos para apreender o visível e o invisível, este não menos perceptível apesar de sua natureza. Talvez você esteja pensando: seis sentidos? Não eram cinco? Tem razão. Os sentidos básicos são cinco, contudo, a raça humana está longe de ser uma espécie unicamente guiada por seus sentidos físicos. O que chamo de sexto sentido é nossa percepção mental, nossos arquétipos cerebrais que nos colocam no comando do planeta e nos permitem perceber coisas que os outros animais não percebem. Agora será que a única função de nossas faculdades mentais é servir de uma calculadora de fenômenos balizada unicamente em uma compreensão do mundo que desacredita quase que inteiramente percepções não explicáveis à luz da ciência atual, classificando-as como absolutamente irreais?

Pensando cientificamente meus amigos, poderia dizer que tal compreensão é míope para um grande quinhão da realidade.   

Mas voltando ao nosso mote atual. O pagão tem plena consciência de sua posição superior na escala biológica em relação aos outros seres vivos (em relação à capacidade intelectual), mas nem por isso maltrata os animais, ou os afere a pecha de objetos. Mas reconhece a necessidade de todos os seres existirem, tudo tem um motivo para estar aqui.

Ser pagão é ser livre de presilhas fanáticas ou céticas. É buscar união com a natureza em um resgate de nossa descendência e respeito a nossos antepassados. É ver a vida com alegria e se regozijar com as outras pessoas. É reconhecer responsabilidade pela realidade e não jogar culpa em terceiros. É buscar harmonia e amor com seus pares e com tudo que vive. Enfim, é ver a natureza com inteligência e amor.

Durante milênios os pagãos viveram em estado de segura auto-afirmação religiosa, com liberdade para professar suas crenças e serem respeitados por isso. Porém, ao longo dos sombrios tempos medievais, a igreja católica intencionando o monopólio da fé dos homens, decretou que as divindades pagãs e suas praticas refletiam culto ao diabo cristão. O que não é mesmo novidade na historia humana já que os deuses de um povo tendem a se tornar os demônios de seus opressores.

O termo pagão vem do latim pagani, significando “aquele que vive no campo”, já que a maioria dos pagãos durante a idade media, em busca da sobrevivência, mudaram das grandes cidades para o meio rural, para a vida no campo, nas pequenas aldeias e vilas. A partir dessa época, iniciou-se a campanha suja e mentirosa da igreja contra as crenças pagãs. Sem a força de outrora, os pagãos retiraram-se às sombras dos tempos. Buscando refugio das perseguições brutais de que eram vitimas. Assim, a identidade pagã foi profundamente abalada desde esse período.

Os poucos descendentes das antigas tradições não se preocupavam em estreitar mal-entendidos professados publicamente com o receio natural de serem acusados de heresia e pararem na fogueira como tantos outros.

Agora, insira séculos e séculos à essa situação e terá o que temos hoje. Uma sociedade que vê paganismo como satanismo, acredita ser o pagão alguém que deliberadamente deseja servir a fins vis, normalmente em busca de riqueza e poder.

A pergunta que resta agora é: e nós pagãos, conscientes de nossa identidade, o que faremos? A maior parte do mundo acredita que somos o que sabemos não ser, e não se enganem meus amigos e amigas, as igrejas cristãs, muitas delas, continuam a reforçar as velhas mentiras na mente das pessoas. Então, o que fazer?

Devemos declarar guerra e tratar os cristãos com o mesmo desdém com que nos tratam? Bem, cada um faz o caminho que acha certo, mas, talvez, a solução não esteja aí.

E se todos nós, pagãos, nos mostrássemos como somos, buscássemos o diálogo, esclarecêssemos falsos conceitos sobre nós onde quer que fossemos e surgisse a ocasião, afinal, falar sobre isso hoje não vai nos levar à fogueira, já é algo. O que certamente não podemos é nos manter calados e deixar os mentirosos de hoje acenderem a chama das acusações fraudulentas e instigar o ódio nas pessoas como uma vez já fizeram.

A identidade pagã se reflete no mundo na exata medida de nossos esforços e de nossa orientação. Isso, também, é o que ser pagão representa. Não se submeter à injustiça e à mentira, não se calar perante os interesses mesquinhos e escusos dos que querem um mundo cheio de ódio, barbárie e descaminho religioso.

Bênçãos a todos meus irmãos e irmãs do caminho natural. 

Vihktor

 

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